SOBRE ESTAS FERRAMENTAS 

Aqui estão conselhos e ferramentas baseados nas respostas dos alunos, divididos em quatro tópicos:
1. Segurança na sala de aula
2. Cooperação com a turma
3. Trabalho em grupo
4. Parar o barulho de forma segura
Para utilizar estas ferramentas, é importante reforçar que os professores sabem melhor do que ninguém o que funciona para eles e para o seu estilo de ensino. Nem todas as ferramentas podem ser facilmente aplicadas a todas as disciplinas, e algumas requerem mais preparação do que outras.

Como estas ferramentas se baseiam no conhecimento dos jovens, o projeto Learn Safely quer garantir que elas sejam fiéis às recomendações dos jovens, especificando, passo a passo, cada ferramenta. Embora cada ferramenta seja explicada detalhadamente, os professores são incentivados a adaptar a sua implementação da maneira que melhor se adequar às suas necessidades.

Os vídeos desta página foram criados com base na sistematização de respostas dos jovens. Podem, por vezes, parecer um pouco repetitivos, mas refletem as vozes e o conhecimento recolhido junto de cerca de 260 alunos da Noruega e de Portugal. Ver vídeos de alunos e alunas da Noruega aqui.

1. SEGURANÇA NA SALA DE AULA

Confiar e sentir-se confortável com o professor tem um grande impacto na forma como os alunos se sentem na escola. Isso influencia se os alunos têm coragem de fazer perguntas, de apresentar trabalhos ou de dizer ao professor quando algo é difícil. Quando os alunos se sentem seguros, também se torna mais fácil para os professores ajudá-los a experimentar coisas novas e desafiantes. As recomendações e ferramentas aqui descritas baseiam-se nas experiências dos alunos sobre o que pode tornar a sala de aula um espaço seguro.

Quando os alunos se conhecem melhor, sentem-se mais seguros para conversar em conjunto, fazer apresentações perante a turma ou convidarem-se uns aos outros para atividades, tanto dentro como fora da escola. Também se torna mais difícil dizer ou fazer coisas ofensivas, o que pode ajudar a prevenir o bullying. Conhecerem-se como pessoas deve ser uma prioridade, tanto no início como ao longo de todo o ano letivo, especialmente quando novos alunos se juntam à turma. Se o professor participar, por vezes, nessas atividades, pode também fortalecer a relação entre alunos e professor.

Alguns exemplos dados pelos alunos sobre como podem conhecer-se melhor entre si:

Métodos de aprendizagem
Se o professor utilizar diferentes métodos de aprendizagem, isso pode ajudar os alunos a participar de uma forma mais confortável. Isto oferece aos alunos uma melhor oportunidade para que possam conhecer-se em diferentes contextos, o que pode ajudar a criar confiança, fortalecer laços e a tornar a aprendizagem mais envolvente e significativa para todos. Os métodos de aprendizagem podem incluir peças de teatro, realização de filmes, debates em grupo ou visitas de estudo, dando aos alunos a oportunidade de se ligarem através de experiências partilhadas, colaboração e diálogo.

Trabalho em grupos 
Ao realizar trabalhos em grupo, o professor assegura que cada aluno tem pelo menos uma pessoa no grupo com quem se sente à vontade. Isto pode ser garantido através de uma conversa com os alunos, tal como descrito na ferramenta “Relações para um bom trabalho em grupo”. Quando os alunos têm, pelo menos, uma pessoa conhecida no grupo, sentem-se mais seguros para serem eles próprios e torna-se mais fácil conhecer os outros alunos do grupo.

Visitas de estudo 
Antes da viagem, o professor explica que estas atividades servem para que todos se conheçam melhor, de forma a que o trabalho em sala de aula seja mais agradável, lembrando também que os amigos têm tempo fora da escola para se encontrar. Se os alunos reagirem a isto, o professor conversa individualmente com eles para perceber se há algo que precisa de ser ajustado ou se existe uma questão mais profunda que deve ser trabalhada e melhorada em sala de aula.

Durante as visitas de estudo, o professor ajuda todos a conhecer-se melhor, organizando atividades divertidas em que os alunos se misturam com diferentes colegas. Atividades que envolvem colaboração ou jogos em pequenos grupos podem facilitar a aproximação entre alunos com quem normalmente não conversam, em comparação com ter apenas tempo livre, sem um plano definido. Se houver várias atividades em simultâneo, os alunos podem escolher com base nos seus interesses. Dessa forma, já terão algo em comum ou interesses semelhantes com os outros do grupo, o que pode tornar mais fácil conversar e criar laços.

Tal como todas as pessoas, os professores podem demonstrar mais gentileza. Quando os alunos notam essa gentileza, a escola torna-se um lugar mais seguro, e isso motiva-os a empenhar-se no trabalho e facilita também a partilha das dificuldades com o professor e a procura conjunta de soluções. Demonstrar gentileza e cuidado permite ao professor ser exigente quando necessário e no momento certo, sem afastar os alunos.

Alguns exemplos dados pelos alunos sobre como os professores podem demonstrar gentileza e cuidado:

  • Falar de forma gentil com os alunos. Usar uma voz calma e amigável, linguagem corporal aberta e expressões faciais que mostrem interesse no que os alunos estão a dizer. Mesmo quando é necessário ser firme e direto, manter a calma, evitar palavras ofensivas e mostrar preocupação com os alunos;
  • Ao passar pelos alunos no corredor, olhá-los nos olhos, sorrir e fazer um pequeno aceno ou dizer olá;
  • Tratar toda a gente com o mesmo cuidado e compreensão;
  • Estar atento aos próprios sentimentos, pensamentos e suposições em relação aos alunos, para evitar agir de forma injusta, mostrar favoritismo ou preconceito;
  • Falar sobre os alunos de forma gentil e atenciosa com os outros adultos da escola, alunos ou outras pessoas, mesmo quando acontece algo difícil. Imaginar que o aluno pode estar a ouvir, por isso, certificar-se de que tudo o que disser não será ofensivo;
  • Se um aluno partilhar algo confidencial ao professor, o professor não deve contar a outros professores, à família ou à turma sem antes falar com o aluno, perguntar se está de acordo e combinar a forma mais segura de o fazer, se necessário.

Os alunos devem sentir-se confiantes de que podem fazer qualquer pergunta sem receio de que o professor a considere “estúpida”. Deixar claro que todas as perguntas são bem-vindas cria confiança e segurança na sala de aula. Isto ajuda os alunos a compreender que errar faz parte do processo de aprendizagem. Muitos alunos têm dificuldade em levantar a mão ou falar à frente da turma, por isso, promover formas seguras de fazer perguntas facilita o acesso de todos os alunos à ajuda de que necessitam.

Alguns exemplos dados pelos alunos sobre como os professores podem ajudar os alunos a fazer perguntas de forma segura:

  • Deixar claro à turma que nenhuma pergunta é “estúpida”, demasiado básica ou repetida, e agradecer sempre aos alunos por perguntarem;
  • Oferecer diferentes formas de colocar perguntas: em aula, depois da aula, por e-mail ou mensagem, e também disponibilizar uma opção anónima, como uma caixa de perguntas;
  • No caso da caixa de perguntas, usá-la de forma ativa: permitir que os alunos depositem perguntas a qualquer momento, verificá-la regularmente e responder às questões em aula, especialmente antes dos testes;
  • Responder às perguntas com calma e paciência, sem se irritar, interrogar em excesso, ralhar ou ridicularizar;
  • Explicar de forma tranquila, confirmar se todos compreenderam e repetir a explicação as vezes que forem necessárias;
  • Deixar os alunos,por vezes, explicarem as coisas uns aos outros quando isso for útil, em vez de apenas repetir o que está nos slides.

Filme 1 Professor seguro: O que pode fazer os alunos sentirem-se mais seguros com os professores?

FERRAMENTAS QUE AJUDAM A CRIAR SEGURANÇA NA SALA DE AULA 

Ao fazer perguntas uns aos outros, os alunos conhecem melhor os colegas e sentem-se mais à vontade na sala de aula. Partilham coisas sobre si próprios, ouvem os outros e praticam o diálogo, fazendo perguntas. Isto pode ajudar a criar um ambiente mais positivo e acolhedor, no qual todos se sentem bem-vindos. Os professores podem ajudar a garantir que a atividade decorra de forma segura para todos, e o mesmo formato também pode ser usado no trabalho específico das disciplinas, por exemplo, para praticar o vocabulário ou perguntas relacionadas com um tema.

Objetivo: Os alunos ficarem a conhecer-se melhor, fazendo perguntas uns aos outros.
Material:
Duração: 30–45 minutos

Como fazer:

  • Os alunos organizam-se em duas filas ou em dois círculos (um círculo interior e outro exterior), ficando de frente uns para os outros. O professor ajuda a garantir que o posicionamento é eficiente e que existe espaço suficiente, evitando barulho excessivo e permitindo que todos se ouçam bem.
  • O professor explica as regras: 
    • Para cada pergunta, os alunos têm 30 a 45 segundos para responder;
    • Passado esse tempo, o professor diz em voz alta uma palavra-código (por exemplo, “batata”), que significa que é a vez do outro aluno responder;
    • (Sugestão: o professor pode pedir à turma para escolher a palavra-código, envolvendo-os na explicação);
    • Enquanto um aluno responde, o outro faz perguntas para saber mais ou aprofundar as razões pelas quais o outro aluno pensa de determinada forma ou gosta de algo;
    • Quando ambos os alunos tiverem falado, o professor diz “troca”, e os alunos de uma fila ou círculo, deslocam-se para a direita, ficando à frente de uma nova pessoa;
    • O processo repete-se até que todos tenham falado com os colegas da outra fila ou círculo.
  • Se o volume das vozes na sala ficar demasiado alto e começar a ser difícil ouvir, o professor pode circular pelo espaço e lembrar os alunos para controlarem o tom de voz, para que seja confortável para todos.

Exemplos de perguntas a fazer:

  • Qual é a tua memória preferida de sempre?
  • Se estiveres a ter um dia mau, o que o pode melhorar instantaneamente?
  • O que significa para ti ser um bom amigo?
  • Qual é o teu superpoder da vida real? (algo em que és muito bom)
  • O que mais gostas de fazer nos tempos livres?
  • Quando ficas triste, é mais fácil para ti chorar, ficar zangado, fazer piadas ou fazer outra coisa?
  • Se fosses um animal, que animal serias?
  • Se tivesses um bilhete gratuito para qualquer lugar do mundo e voltasses para casa ao fim de duas semanas, para onde irias?

O que pensar ao fazer ou encontrar perguntas para a “amizade rápida”:

  • Começar com perguntas simples e divertidas, em vez de ir logo para temas muito profundos;
  • Ter cuidado com temas sensíveis, relacionados com família, inclusão, amizades, religião, etc;
  • Escolher perguntas que não realçam diferenças relacionadas com dinheiro, popularidade, etc;
  • Estar atento a possíveis diferenças sociais ou culturais que possam influenciar a forma como as perguntas são interpretadas.

Quando os alunos conhecem o professor como pessoa e para além do seu papel, isso faz diferença e cria confiança e segurança. Uma conexão mais próxima pode fazer com que os alunos se sintam mais motivados na disciplina e mais recetivos a aprender. Também torna mais fácil a aproximação dos alunos ao professor quando algo estiver difícil ou quando precisarem de apoio.

Objetivo: Os alunos conhecerem um pouco melhor o professor.
Material:
Duração: Depende da atividade

Como fazer:
Exemplos dados pelos alunos de como o professor pode partilhar um pouco sobre si próprio:

  • Participar das atividades dos alunos: Quando os alunos se conhecem através de atividades como as dinâmicas de “amizade rápida” (ferramenta anterior), “eu num desenho” (ferramenta abaixo) ou outras formas, o professor pode aproveitar essas oportunidades e participar de uma forma natural.
  • Assunto relevante: Se o professor tiver uma pequena história ou um facto da sua vida que se relacione diretamente com o que está a ser ensinado, pode contá-lo ao introduzir ou falar sobre esse tema, através de uma conversa mais informal.
  • Sentimento do dia: Se o professor estiver a ter um dia bom, pode partilhar as boas notícias e a razão pela qual se sente bem. Se o dia estiver a ser mau, o professor pode explicar brevemente o motivo e informar os alunos para que não interpretem a sua tristeza ou frustração como algo que os alunos fizeram de errado. Isto não deve ser feito de forma exagerada ao ponto de ser uma descarga de sentimentos.

Os alunos sentirem-se seguros na sala de aula começa por se conhecerem e compreenderem uns aos outros. A arte e a expressão criativa podem ajudar a que os alunos se conheçam além das palavras. Desenhar ou pintar sonhos, medos, forças ou experiências pessoais ajuda os alunos a sentirem-se vistos e compreendidos, o que pode fortalecer a sensação de segurança na sala de aula.

Objetivo: Os alunos conhecerem-se uns aos outros através do desenho e da arte.
Material: Folhas de papel; material de desenho/pintura (canetas coloridas, lápis de cor, tinta…)
Tempo: 20-30 minutos

Como fazer:

  • O professor sugere que cada aluno crie um desenho que o represente: os seus sonhos, medos ou pontos fortes e fracos, dependendo do que estiverem confortáveis em partilhar. O professor explica claramente que os desenhos serão exibidos para todos os colegas, para que nenhum aluno desenhe algo que não se sinta confortável em partilhar;
  • Os alunos escolhem os materiais e têm 10 minutos para fazer o desenho/pintura;
  • Após o tempo, cada aluno apresenta seu desenho/pintura, partilhando aquilo com que se sente confortável. Esta parte pode ser dividida em diferentes dias, para não ocupar muito tempo de uma só aula;
  • O professor também pode desenhar e apresentar o seu próprio desenho para a turma, para que os alunos o conheçam melhor;
  • Os desenhos e pinturas podem ser expostos na sala de aula, permanecendo nas paredes durante todo o ano letivo.

Exemplos de sugestões para os alunos:

  • “Eu e os meus amigos/família”;
  • “Eu no meu país de origem”;
  • “Eu a fazer a minha coisa favorita”;
  • “Um dos meus sonhos”;
  • “Algo de que tenho medo”;
  • “Como me vejo a mim próprio”.

Pausas curtas com jogos, energizers ou conversas informais trazem energia, foco e risos. Muitos alunos gostam de professores que combinam diversão com ensino, e o humor pode até tornar os alunos mais motivados para ir à escola. Esses energizers são pensados para serem usados durante a aula, especialmente quando a turma precisa de libertar energia para continuar a aprender de maneira leve e produtiva.

Objetivo: Tornar as aulas mais dinâmicas, descontraídas e divertidas com os alunos.
Material: Varia dependendo da atividade.
Tempo: 2-10 minutos

Como fazer:

  • Juntamente com os alunos, fazer uma lista de pequenos jogos divertidos, energizers e outras atividades para ativar o cérebro e tornar o ambiente mais divertido por alguns minutos;
  • Esta lista pode ser criada através de uma sessão de brainstorming em sala de aula, na qual todos, alunos e professor em conjunto, contribuem com sugestões;
  • Utilizar estas atividades sempre que necessário para envolver os alunos e criar energia ou riso;
  • Essas atividades podem ser usadas repetidamente, tornando-se um “ritual”, ou escolhidas aleatoriamente, para que os alunos não saibam o que esperar e sejam surpreendidos.

Exemplos de jogos/energizadores, dados pelos alunos:

  • Perguntas frequentes: dizer algo divertido e “controverso” (por exemplo: ananás na pizza é bom) e todos os que concordam, levantam a mão. Podem fazer-se 2 ou 3 de seguida;
  • O meu nome e uma coisa: um jogo de memória em que uma pessoa começa por dizer o seu nome e uma coisa à escolha; a pessoa seguinte diz o seu nome, a coisa que a pessoa anterior disse e outra coisa; no final, a última pessoa diz o seu nome e todas as coisas que as outras pessoas disseram antes;
  • Pedra, papel ou tesoura em pares;
  • Dançar com um ou dois vídeos do Just Dance;
  • Cantar uma música animada e energética;
  • Marcar cinco minutos no cronómetro para falar sobre outros temas, por exemplo, notícias e acontecimentos atuais, para que a escola não fique desligada do mundo exterior;
  • Sacudir-se: todos se levantam e sacodem o corpo, como quiserem, para libertar a tensão e ganhar energia.

Os alunos estão na escola todos os dias e, por isso, têm muito conhecimento sobre o que a torna num lugar seguro e motivante. O feedback anónimo permite aos alunos partilhar de forma honesta as suas opiniões, dando aos professores uma visão sobre o que funciona bem e o que pode ser melhorado, sem que os alunos se sintam expostos.

Objetivo: Os professores recebem feedback ocasionalmente, o que lhes permite refletir sobre os métodos de ensino e sobre a forma de criar um ambiente de aprendizagem confortável e motivante.
Material: Caixa, dois tipos de post-its de cores diferentes e canetas
Duração: 10 minutos (para os alunos darem feedback); 10 minutos (para o professor ler).

Como fazer:

  • O professor distribui dois post-its de cores diferentes, a cada aluno;
  • O professor explica que:
    • Pretende receber feedback sobre os métodos de aprendizagem, sobre a forma como as avaliações são realizadas, sobre o ambiente da aula e sobre o que o professor faz e diz, de forma a que os alunos se sintam seguros, confortáveis e motivados na escola;
    • A razão pela qual está a pedir feedback e como isso o ajuda a melhorar;
    • Gostava que os alunos se dirigissem diretamente a ele ou a outro professor em quem o aluno confie, para que possam falar diretamente e encontrar boas soluções em conjunto, no caso de sentirem alguma dificuldade;
    • O objetivo é recolher feedback de todos os alunos;
    • O feedback é anónimo e, mesmo que o professor reconheça a caligrafia de algum aluno, manterá sempre o comentário privado, sem o partilhar com outros professores;
    • O post-it com a cor X serve para escrever algo positivo que funciona bem ou que gostariam de ter mais vezes; o post-it da cor Y serve para escrever algo que é difícil ou que precisa de ser melhorado;
    • Se muitos alunos mencionarem o mesmo ponto, o professor analisará o que é possível fazer;
    • Se apenas alguns alunos mencionarem determinada questão, o professor verá como reagir a esse feedback, dependendo da situação.
  • Os alunos escrevem nos post-its;
  • O professor pode colocar música de fundo, para tornar o momento mais agradável, incluindo para os alunos que terminarem primeiro e ficam a aguardar pelos restantes;
  • O professor recolhe todos os post-its;
  • Posteriormente, o professor analisa o feedback recebido, procurando tendências, padrões e pontos que se destaquem;
  • Mais tarde, o professor dá feedback aos alunos sobre como utilizou ou vai utilizar as sugestões. Caso algo referido por muitos alunos não seja possível de implementar, o professor explica com sinceridade o motivo.

Exemplos de aspetos sobre os quais dar feedback:
Recomendações

  • Quais os métodos de aprendizagem que os alunos gostam e com os quais aprendem melhor;
  • O que pode ser feito mais vezes ou de forma diferente para melhorar a relação entre colegas ou entre alunos e professor;
  • Onde os alunos se preferem sentar na sala de aula e porquê;
  • Com quem se sentem mais à vontade para trabalhar em grupo.

Experiências 

  • O que os alunos pensam sobre os métodos de avaliação utilizados;
  • Se os assuntos confidenciais dos alunos são partilhados apenas com o seu conhecimento e cooperação;
  • Perceber se os alunos se sentem tratados de forma igual ou se sentem que há favoritos na turma;
  • Perceber se os alunos consideram que os professores lhes falam com respeito ou se, por vezes, fazem comentários ofensivos ou desrespeitosos.

2. COOPERAÇÃO COM A TURMA

Os professores que cooperam com os alunos são, muitas vezes, aqueles em quem os alunos sentem que podem confiar. A cooperação mostra que o professor se importa com os alunos e deseja que eles aprendam e mostrem os seus conhecimentos da melhor forma possível. Os conselhos e ferramentas abaixo baseiam-se em experiências e recomendações de alunos sobre como a cooperação pode tornar as situações de aprendizagem e a vida escolar mais seguras e motivadoras.

Para os alunos, é importante sentirem-se interessados nas aulas. Professores que despertam a curiosidade através de diferentes métodos de aprendizagem, sendo criativos e tornando as aulas divertidas, são frequentemente os que os alunos mais apreciam. Isto facilita a aprendizagem e melhora o ambiente de sala de aula, com mais foco e menos distrações. Mesmo pequenas mudanças, como começar a aula de forma diferente, podem torná-la mais envolvente. Os professores também podem pedir feedback sobre os métodos e “atividades de envolvimento rápido” utilizados, e usá-los para ajustar e melhorar as aulas.

Exemplos dados pelos alunos de “atividades de envolvimento rápido” para tornar as aulas mais envolventes:

  • Música;
  • Fazer uma experiência;
  • Partilhar uma história;
  • Ver um pequeno vídeo;
  • Pequeno quiz no Kahoot;
  • Pequena peça de teatro/teatro de fantoches

Alguns exemplos dados pelos alunos de formas e métodos que tornam as aulas mais interessantes

  • Trabalho em grupo ou em pares;
  • Kahoot;
  • Aulas práticas/experimentais;
  • Realização de aulas em diferentes locais (ao ar livre, na biblioteca ou noutro espaço ligado ao tema);
  • Uso de mais tecnologia;
  • Fazer uma peça de teatro ou teatro de fantoches;
  • Partilhar histórias;
  • Criar cartazes ou outros projetos criativos;
  • Vídeos e filmes – tanto assistir como produzi-los;
  • Visitas de estudo;
  • Momentos de discussão em conjunto – em círculo, um a um ou em pequenos grupos;

FERRAMENTAS PARA COLABORAR COM A TURMA 

Os alunos têm diferentes razões para gostar ou não gostar de certos métodos de aprendizagem, formas de apresentação ou de avaliação. Conhecer as suas preferências e os seus motivos ajuda a melhorar o ambiente da sala de aula e torna a aprendizagem, as apresentações e as avaliações mais seguras. Esta atividade funciona bem no início do ano letivo, mas também pode ser repetida em conversas individuais, quando se começa um novo tema ou no início/fim de um período/semestre. Pode ser feita de forma oral ou escrita, por exemplo, através de um formulário digital.

Objetivo: Compreender as preferências dos alunos relativamente a métodos de aprendizagem, formas de apresentação e avaliação.
Material: Dois tipos de post-its de cores diferentes.
Duração: 15 a 20 minutos.

Como fazer:

  • O professor explica para que serve a atividade, porque está a ser feita e como serão usadas as respostas dos alunos;
  • O professor escreve no quadro ou mostra no ecrã os vários métodos de aprendizagem, apresentação e avaliação;
  • Os alunos dão sugestões sobre diferentes possibilidades que existem;
  • O professor distribui um ou mais post-its de cada cor: uma cor significa “gosto”, a outra significa “não gosto”;
  • Os alunos escrevem nos post-its os métodos que gostam e que não gostam, explicando porquê, para que o professor entenda melhor;
  • O professor utiliza as respostas deste exercício para ajustar os métodos de ensino e de avaliação;
  • O professor pode também conversar individualmente com cada aluno sobre o que este escreveu nos post-its, para compreender melhor as suas respostas e encontrar possíveis soluções.

Fazer apresentações e ser avaliado de forma confortável e segura, permite ganhar confiança e motivação para fazer um esforço extra. Assim, torna-se mais fácil demonstrar aprendizagens e a relação com o professor também pode melhorar, porque a cooperação ajuda a criar confiança.

Objetivo: Permitir que os alunos escolham a forma como são avaliados, de forma a ser mais fácil mostrar os seus conhecimentos.
Material necessário:
Duração: 5 minutos

Como fazer:

  • O professor explica a tarefa de apresentação/avaliação;
  • O professor dá exemplos de formas possíveis de realizar a tarefa e indica se os alunos podem escolher fazê-la em grupo ou individualmente;
  • Esclarece se existem limites de tempo ou outros requisitos obrigatórios;
  • Pergunta aos alunos se têm outras sugestões e integra-as na lista;
  • Se surgir uma sugestão que o professor não compreenda totalmente, faz uma pergunta rápida para clarificar;
  • Caso não seja possível aplicar uma sugestão, o professor explica porquê;
  • Com todas as opções apresentadas, o professor pede aos alunos que levantem a mão para escolher o formato preferido, repetindo cada opção uma a uma;
  • Se vários alunos escolherem o mesmo formato, o professor pode perguntar se alguém quer trabalhar em grupo e, a partir daí, organizar grupos adequados ou deixar que os alunos se organizem;
  • Se algum aluno não escolher nenhum formato e ficar de fora, o professor ajuda-o a decidir o que prefere fazer, procurando perceber a razão da indecisão e encontrando uma solução adequada.

Exemplos dados pelos alunos relativamente às formas de apresentar/ser avaliado:

  • Fazer um filme;
  • Criar um podcast;
  • Fazer um teatro;
  • Escrever um texto;
  • Conversar sobre um livro;
  • Banda desenhada;
  • Debate;
  • Criar um jornal e apresentar à turma.

Alunos e professores podem viver a escola e as situações de aprendizagem de forma diferente. Uma conversa em turma, onde os alunos partilham o que os faz sentir seguros e confortáveis, pode criar uma compreensão comum. Quando alunos e professores ouvem as reflexões uns dos outros sobre o que significa sentir-se seguro, respeitado ou outros conceitos semelhantes, torna-se mais fácil chegar a um acordo sobre atitudes partilhadas para que todos possam contribuir para criar um bom ambiente de aprendizagem.

Objetivo: Criar um acordo, entre alunos e entre alunos e professor, sobre como ajudar a construir ambientes de aprendizagem seguros, onde todos se sintam respeitados e livres para se expressarem.
Material: Um chapéu ou caixa, post-its, canetas e uma pequena bola, bola anti-stress ou saquinho de ervilhas.
Tempo: 15 a 20 minutos

Como fazer:

  • Esta atividade pode ser realizada no início do ano letivo ou antes de começar os trabalhos de grupo, visitas de estudo, apresentações ou outras atividades que possam gerar incerteza ou insegurança;
  • No início da aula, no começo do dia ou no dia anterior, o professor explica o tema da conversa (ex.: sentir-se seguro, sentir-se respeitado, etc.), para que os alunos tenham algum tempo para refletir;
  • O propósito é dar conselhos ao professor e, ao mesmo tempo, criar recomendações em conjunto para que todos contribuam para um ambiente mais confortável;
  • No momento da atividade, o professor pede aos alunos que pensem sozinhos ou em pequenos grupos;
  • O professor distribui post-its para que os alunos escrevam o que pensam sobre o tema da conversa, explicando que as recomendações serão lidas em voz alta para que possam ser discutidas em conjunto;
  • O professor recolhe os post-its colocando-os dentro do chapéu e organiza as cadeiras em círculo, para que todos se possam ver;
  • O professor pergunta abertamente se há algo mais que seja importante para que todos se sintam seguros a falar;
  • O professor organiza as recomendações por temas e vai lendo cada uma. Tema a tema, inicia-se uma conversa em que todos os alunos podem explicar porque é que aquela recomendação é importante. Todos podem comentar, mesmo que a recomendação não seja deles, passando a bola/novelo a quem tem a palavra;
  • O professor deve mostrar e reforçar que é corajoso e positivo quando os alunos contribuem, agradecendo todas as participações e explicações;
  • Se um aluno disser algo que pareça desafiante ou difícil de compreender, o professor deve perguntar com curiosidade e de forma acolhedora o que o aluno quis dizer com essa palavra ou frase. Isto é importante para evitar mal-entendidos, caso o aluno se tenha expressado de forma confusa ou pouco clara.

Exemplos de temas sugeridos pelos alunos:

  • O que é importante haver para confiar no professor?
  • O que é importante existir para te sentires bem na sala de aula?
  • Para ti, o que significa respeito?
  • O que os alunos podem fazer para se ajudarem uns aos outros e criarem um bom trabalho de grupo?
  • O que os professores podem fazer para ajudar a criar um bom trabalho de grupo?
  • O que torna seguro apresentar alguma matéria à frente da turma? 

Filme 2 Métodos de Aprendizagem: Como os métodos de aprendizagem podem ser usados para criar um ambiente de aprendizagem seguro?

Filme 3 Avaliações: O que pode ser feito para que os alunos se sintam seguros ao serem avaliados? 

Filme 4 Apresentações: O que pode tornar as apresentações mais seguras para os alunos? 

3. TRABALHAR EM GRUPO 

Muitos alunos dizem que trabalham melhor com amigos ou colegas de turma que já conhecem, enquanto outros veem o trabalho de grupo como uma boa forma de se conhecerem melhor. Sentir-se seguro num grupo ajuda a partilhar ideias e contribuir mais facilmente. Os professores podem apoiar este processo, tanto na forma como dividem os grupos como na forma como acompanham o trabalho.

As recomendações e ferramentas seguintes baseiam-se em respostas de alunos sobre o que torna o trabalho em grupo seguro e justo.

O trabalho em grupo pode ser uma experiência muito diferente para cada aluno. Pode ser agradável quando os alunos podem colaborar com alguém que conhecem e em quem confiam ou quando a tarefa é divertida e motivante. Mas pode ser difícil se parecer inseguro, injusto ou se a cooperação não for boa. A forma como os grupos são divididos pode fazer uma grande diferença. Existem muitas formas de dividir os alunos em grupos, e cada uma delas tem os seus pontos fortes e fracos. Usar métodos diferentes dá aos alunos a oportunidade de experimentarem novas abordagens, conversarem com colegas que não conhecem tão bem e sentirem-se mais confortáveis.

Alguns exemplos dados por alunos sobre como formar os grupos:
Com base nas conexões

  • Parcerias familiares: os alunos escolhem alguém que conhecem e com quem se sentem à vontade para formar um grupo e, em seguida, o professor junta as duplas para formar um grupo de quatro;
  • Grupos familiares: os alunos ou o professor formam grupos compostos por pessoas que se conhecem e se sentem à vontade umas com as outras;
  • Se os grupos forem criados dessa forma, o professor deve intervir logo no início para ajudar a formar grupos seguros, antes que algum aluno se sinta excluído ou exposto por não ter sido escolhido.

Com base nas formas de expressão

  • O professor dá exemplos de como a tarefa ou trabalho pode ser resolvido (por exemplo, fazer um filme em conjunto, fazer uma apresentação em grupo ou escrever um texto em grupo);
  • Os alunos podem escolher o método de apresentação ou forma de expressão que mais gostam ou que gostariam de experimentar;
  • O professor ajuda a criar grupos seguros com alunos que querem realizar o trabalho da mesma forma;
  • Consultar a ferramenta chamada “Apresentações e avaliações de forma confortável” para saber mais detalhes sobre como criar grupos.

Habilidades ou interesses 

  • Competências/interesses complementares: O professor forma grupos com alunos que tenham diferentes competências ou interesses (ex.: escrita, leitura, comunicação oral, desenho, etc.), para que cada um contribua com os seus pontos fortes.
  • Competências/interesses semelhantes: O professor organiza grupos de alunos com competências ou interesses parecidos, para que possam dividir as tarefas de forma equilibrada e justa.

Aleatoriamente

  • O professor conta os alunos ou usa um método aleatório, como sortear números, para formar os grupos. Pode também contar os alunos aleatoriamente (por exemplo: sorteio na contagem 1, 2, 3, 4…, pela primeira letra do nome ou através de uma aplicação), oferecendo aos alunos uma maneira de trabalharem com colegas que não conhecem tão bem. Essa abordagem também pode ser uma oportunidade para colocar em prática as habilidades de construir resiliência individualmente e em conjunto.

Por vezes, as tarefas podem não estar claras ou surgem problemas e mal-entendidos que dificultam a colaboração entre os grupos. Grande parte do que o professor pode fazer para tornar o trabalho de grupo mais seguro passa por construir confiança e ligação nas atividades do dia a dia. Além disso, o professor pode apoiar o trabalho em grupo durante as aulas, por exemplo, passando por cada grupo para verificar como estão a correr as coisas. Quando os alunos sabem de que forma o professor vai acompanhar os grupos, sentem-se mais seguros para pedir ajuda e reforçam a resiliência individual como coletiva.

Antes de os trabalhos em grupos começarem

  • Para trabalhos de grupo feitos em aula, o professor avisa que passará por todos os grupos para ver como estão e perguntar se têm dúvidas.
  • Para trabalhos em grupo feitos em aula ou fora dela, o professor explica que os alunos podem sempre falar ou enviar uma mensagem caso algo seja difícil ou se tiverem perguntas.

Enquanto os grupos trabalham
Alguns destes conselhos aplicam-se também a projetos ou sessões de trabalho em grupo fora da sala de aula.

  • Ao caminhar entre os grupos, o professor pergunta como está a correr;
  • O professor tem o cuidado de fazer contato visual e de observar a linguagem corporal de todos os alunos, para tentar perceber algo que não está a ser dito;
  • O professor pode fazer perguntas sobre a tarefa e sobre a forma como o grupo a está a resolver, para compreender melhor a dinâmica do grupo;
  • Se o professor perceber que algo não está bem ou que os alunos não estão a contribuir de forma igual, reflete se deve falar individualmente com os alunos mais tarde, se é preferível colocar uma questão ou sugerir algo que ajude no momento;
  • Se for necessário redirecionar o grupo ou a dinâmica de alguns alunos em específico, faz isso de forma curiosa e sem julgar, assumindo que cada aluno está a dar o seu melhor e que, se algo é difícil, existe normalmente uma razão para isso;
  • O professor continua a circular entre os grupos, avaliando a frequência com que intervém, especialmente se um aluno tiver mencionado em privado que algo é difícil e tenha pedido confidencialidade, para evitar chamar a atenção.

Se o aluno se aproxima ou envia uma mensagem ao professor
Algumas destas recomendações aplicam-se também a projetos ou sessões fora da sala de aula.

  • O professor faz perguntas para compreender exatamente o que está a ser difícil, evitando tratar da situação como algo “superficial”, pois pode haver algo mais profundo;
  • Se o aluno pedir ajuda com a tarefa ou com a dinâmica do grupo, o professor pergunta se o aluno prefere receber ajuda de uma forma específica;
  • O professor dá exemplos de como pode ajudar, dando algumas dicas ou verificando o grupo novamente mais tarde;
  • Se um aluno mencionar algo sobre um ou mais colegas, o professor pode fazer um acordo com o aluno sobre se deve falar com esses alunos em particular, num momento ou mais tarde, para entender o problema e encontrar soluções;
  • Caso seja necessário conversar com o grupo, o professor combina com o aluno se deve mencionar que este lhe falou e, em caso afirmativo, o que dizer e como.

FERRAMENTAS PARA TRABALHAR EM GRUPO 

Se os alunos estiverem num grupo com alguém em quem confiam, é mais fácil sentirem-se confortáveis, contribuírem de igual forma e criarem ligação com colegas que talvez ainda não conheçam tão bem. Um mapa de relações ajuda o professor a perceber com quem cada aluno se sente seguro, de modo a formar grupos em que todos tenham pelo menos um colega com quem se sintam à vontade.

Objetivo: Saber com quem os alunos se sentem confortáveis a trabalhar, para que o trabalho de grupo seja seguro para todos.
Material: Post-it, canetas
Duração: 5 minutos

Como fazer:

  • O professor explica que pretende saber com quem os alunos se sentem confortáveis e com quem trabalham bem, para formar os grupos.
  • O professor distribui um post-it a cada aluno;
  • Os alunos escrevem o seu nome no post-it e o nome de três ou mais colegas da turma com quem se sentem seguros e com quem conseguem trabalhar bem;
  • O professor recolhe os post-its e lê-os mais tarde, quando os alunos não puderem ver as respostas uns dos outros;
  • O professor pode também conversar individualmente com um aluno sobre as suas respostas, para compreender melhor as razões que o levaram a escrever o que escreveu;
  • Quando o professor formar grupos, deve usar as informações partilhadas pelos alunos para que os grupos sejam seguros.

Cada aluno tem forças que podem ser úteis ao grupo durante uma tarefa coletiva. Partilhar e destacar aquilo em que cada pessoa é boa aumenta a confiança, o respeito e a valorização das contribuições de cada um. Isto cria um ambiente de grupo positivo, onde as competências e preferências são reconhecidas.

Objetivo: Criar consciência das forças de cada aluno e de como elas se complementam dentro de um grupo.
Material: Cartões, canetas.
Duração: 5–10 minutos

Como fazer:

  • O professor distribui cartões em branco e canetas a todos os alunos dos grupos;
  • O professor explica o que os alunos vão fazer e lembra que pode ser difícil para alguns escrever sobre si próprios, mas reforça que cada aluno tem muitas forças e, provavelmente, algumas preferências na forma como gosta de trabalhar;
  • Cada aluno escreve no seu cartão uma lista de algumas coisas em que se sente confiante ou que prefere fazer, como desenhar, organizar, explicar ou apresentar. Também podem ser qualidades pessoais, como ser paciente ou ajudar os outros;
  • Depois de todos partilharem, o grupo discute maneiras de integrar essas forças no seu projeto, por exemplo, dividindo as tarefas de forma que cada um saiba como pode contribuir.

No trabalho de grupo, sentir-se incluído, valorizado e apoiado pelos outros pode fazer toda a diferença. Elogios e demonstrações de apreço podem tornar o trabalho em grupo mais seguro e motivador. Quando os alunos se apoiam mutuamente, os erros parecem menos intimidantes e a colaboração torna-se mais positiva. Isto fortalece a confiança e a gentileza dentro dos grupos, criando um espaço seguro e acolhedor para todos, ajudando a prevenir mal-entendidos ou conflitos.

Objetivo: Criar um ambiente de grupo mais positivo na sala de aula, onde cada aluno se sente mais valorizado, seguro e incluído.
Material: Um novelo de lã por grupo.
Duração: 5 minutos no final de cada sessão de trabalho em grupo (ou, se o trabalho de grupo acontecer fora da aula, quando a tarefa estiver concluída ou entregue).

Como fazer:

  • O professor explica o que vai acontecer e o objetivo da atividade, dizendo que o propósito é fazer com que todos se sintam confiantes e reconhecidos pelo seu trabalho, competência ou característica pessoal;
  • O professor reconhece que dizer e ouvir elogios em voz alta pode ser difícil para alguns alunos, por isso dá a opção de escreverem os elogios em pequenos papéis e entregá-los ao colega que querem elogiar;
  • O professor pode colocar música de fundo para tornar o ambiente mais agradável e descontraído;
  • Cada grupo recebe um novelo de lã;
  • Em cada grupo, um aluno começa por segurar a ponta do novelo e atirá-lo a outro colega, fazendo-lhe um elogio ou agradecendo-lhe por algo específico que fez durante a sessão de trabalho de grupo;
  • O colega que recebe segura na parte do fio que lhe coube e depois atira o novelo a outra pessoa, partilhando outro elogio ou agradecimento, até que todos tenham participado;
  • No final, o professor incentiva os alunos a olharem para a rede de elogios que criaram. Depois disso, os alunos enrolam novamente o fio;
  • Se necessário, o professor ajuda os grupos que tenham dificuldades e assegura que nenhum aluno fica de fora.

Filme 5 Trabalho em grupo, parte 1: Como é que o trabalho em grupo pode ser realizado para funcionar bem e ser uma boa experiência?

Filme 6 Trabalho em grupo, parte 2: Como é que o trabalho em grupo pode ser realizado para funcionar bem e ser uma boa experiência?

4. PARAR O BARULHO DE FORMA SEGURA 

O barulho pode surgir por muitas razões: a aula pode não estar a ser cativante, os alunos podem não se sentir bem ou podem não ter tido tempo suficiente para conversar durante o intervalo. A forma como os professores atuam nestas situações afeta fortemente o que acontece a seguir e se os alunos os respeitam. Os conselhos e ferramentas abaixo baseiam-se nas respostas dos alunos sobre como o barulho pode ser interrompido de forma segura e com respeito.

É importante parar o ruído quando este perturba a aprendizagem ou faz com que os outros não se sintam seguros. Isto deve ser feito de uma forma que não faça os alunos sentirem-se assustados, desconfortáveis ou rotulados como “maus”. Caso contrário, os alunos podem reagir de forma defensiva, fazer ainda mais barulho ou responder negativamente. Parar o barulho de forma segura ajuda a construir uma sala de aula positiva e um ambiente de aprendizagem saudável.

Exemplos dados pelos alunos sobre como acalmar o barulho e evitar que aumente:
Como fazer:

  • Manter uma voz calma e amigável, dirigida a todos os alunos de forma igual;
  • Ser firme e direto ao pedir silêncio aos alunos.

Coisas a evitar:

  • Chamar à atenção um único aluno, em frente da turma;
  • Falar muito alto ou gritar;
  • Falar de forma ríspida e agressiva;
  • Corrigir alguns alunos de forma simpática e outros de forma ríspida.
  • Dizer coisas que rebaixem um aluno ou comparar alunos entre si.

Coisas a tentar, dependendo da situação:

  • Deixar os alunos fazer uma pequena pausa;
  • Ser paciente e dar tempo para que o barulho aconteça, deixando os alunos terminar a frase quando falam uns com os outros;
  • O professor pode dizer abertamente que entende que existem razões para os alunos fazerem barulho e que sabe que ninguém quer causar problemas;
  • O professor pode explicar, de forma honesta e calma, o que sente quando os alunos fazem barulho e não ouvem;
  • Se possível, iniciar uma tarefa com a turma e levar os alunos que fizeram barulho para fora da sala, para uma conversa, de forma simpática e discreta;
  • Fazer perguntas aos alunos que fizeram muito barulho para entender o que aconteceu ou o que estavam a sentir ou a pensar. Tentar perceber se aconteceu algo na aula, com outros alunos, com o professor, em casa ou se há outra razão. Explicar que o objetivo da pergunta é compreender e encontrar uma solução em conjunto.

FERRAMENTAS PARA PARAR O BARULHO DE FORMA SEGURA 

Pode ser útil combinar um sinal com a turma para parar o barulho, quando todos estão a fazer ruído ou como chamar a atenção após uma pausa. Isto ajuda a que os alunos percebam o que o professor quer sem precisar gritar, o que pode ser assustador. Muitas vezes, um simples “sinal de silêncio” ou “forma de captar atenção” é suficiente para acalmar uma situação agitada. Com este tipo de acordo, torna-se mais fácil os alunos respeitarem o professor, por este ser claro de uma forma simpática ou divertida.

Objetivo: Escolher e usar “sinais de silêncio” e “formas de captar atenção” para quando muitos alunos estão a fazer barulho.
Material: Varia, dependendo do acordo feito.
Duração: 5 a 10 minutos.

Como fazer:

  • O professor explica:
    • Que gostaria de combinar formas de silenciar a turma que sejam confortáveis para todos, entendendo que há razões para a turma ficar barulhenta às vezes;
    • Que não quer gritar, porque sabe que isso pode ser sentido de forma diferente por cada aluno e pode afetar o ambiente da sala de aula;
    • Que pretende ter algumas opções para parar o barulho de forma que a turma se sinta à vontade;
    • O que procura num “sinal de silêncio” ou “formas de captar atenção” (por exemplo: um sinal que não faça barulho, um sinal em que o professor possa sussurrar, um sinal em que os alunos imitam o professor, um sinal em que haja saltos ou outra atividade rápida de alguns segundos para libertar energia).
  • O professor pergunta se a turma tem exemplos de “sinais de silêncio” ou “formas de captar atenção” e começa a listá-los, acrescentando também as suas próprias sugestões;
  • O professor faz uma votação rápida de mão no ar com todos os exemplos, para ver quais são aceites por todos ou pela maioria. Para votar de forma anónima, os alunos podem deitar a cabeça na mesa, fechar os olhos e levantar a mão;
  • Depois disso, ao experimentar um “sinal de silêncio” ou “formas de captar atenção” que foi eficaz e fez os alunos sorrirem, o professor pergunta rapidamente o que acharam e o motivo pelo qual funcionou bem;
  • Ou, se ao usar um “sinal de silêncio” ou “formas de captar atenção” que não resultou ou que os alunos não pareceram gostar, o professor pode afirmar, sem julgamento, que o sinal não foi tão eficaz e depois perguntar, de forma cuidadosa, se foi algo no próprio sinal ou outra coisa que estava a acontecer que o tornou menos útil;
  • Independentemente de ter sido ou não eficaz para acalmar a turma, o professor pergunta para entender por que motivo os alunos ficaram tão barulhentos e/ou agitados;
  • O professor utiliza o feedback recebido para fazer adaptações que possam ser úteis para a turma e para várias situações.

Alguns exemplos de “sinais de silêncio” e “formas de captar atenção” dados pelos alunos:
O jogo do sinal de silêncio
O professor faz um pequeno sinal que todos copiam em silêncio. Para “ganhar o jogo”, não se pode ser o último a fazer o sinal. Não é preciso salientar quem foi o último, apenas elogiar a turma se tiver trabalhado em conjunto na tentativa de ajudar a silenciar a sala;

Ritmos com palmas
O professor bate palmas num padrão específico e os alunos devem copiá-lo. Podem ser usadas variações dos padrões para tornar a atividade mais desafiante e divertida.

Música
De repente, o professor põe a tocar uma música animada e surpreendente numa coluna de som, suficientemente alta para chamar a atenção dos alunos, mas sem assustar ou prejudicar a audição. O professor pode também fazer uma pequena dança, para fazer os alunos rir.

“A primeira pessoa a…”
Se a turma ou o grupo estiver muito agitado, o professor diz em voz alta “A primeira pessoa a…” e em seguida indica e faz uma ação, como “… tocar no chão”, “… pôr a mão na cabeça”, “… saltar” ou “… tirar um sapato”. O professor pode dizer uma ou várias destas frases rapidamente e, em seguida, perguntar à turma se é bom aprender de uma forma que permita um pouco de movimento, fazer uma pequena pausa ou entender o que precisam para continuar a aula.

Lagarta de movimentos
O professor faz um movimento que os alunos devem copiar (por exemplo, balançar os braços acima da cabeça ou bater palmas). Depois de todos repetirem, o professor pede aos alunos que acrescentem um novo movimento para formar uma «lagarta de movimentos», uma sequência de movimentos. Esta sequência é repetida quando se quer acalmar os alunos ou quando se reúne o grupo após uma pausa, para que os alunos associem isso a um desafio divertido, em vez de a uma ordem para ficarem quietos. Um novo movimento pode ser adicionado cada vez que a sequência é feita, continuando a «lagarta de movimentos». A sequência pode ser reiniciada no dia seguinte ou após alguns dias, para não ficar demasiado longa.

Filme 7: Parar o barulho de forma segura) Como os professores podem interromper o barulho de forma segura, quando um ou mais alunos estão a fazer barulho?

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